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CTV: o custo que ninguém calcula (e você está pagando)

Se você já procurou “comparação de custos de CTV advertising”, sabe o que vai encontrar: dezenas de tabelas bonitinhas com CPMs do Hulu, Roku, Amazon Fire TV, YouTube TV e Paramount+. Números redondinhos, benchmarks prontos para consumo rápido. O problema é que esse tipo de comparação engana mais do que ajuda. É como avaliar um carro só pela cor - você ignora o motor, o estado dos pneus e se a gasolina tá no tanque.

Passei anos operando campanhas de CTV nos Estados Unidos, e posso te garantir: o verdadeiro custo não aparece em planilha nenhuma. Ele está escondido em impressões que ninguém assistiu, em segundos de atenção que evaporaram e em métricas que as plataformas simplesmente não mostram. Neste artigo, vou te mostrar um ângulo que raramente aparece nos blogs de marketing: o custo real que você paga - e não está medindo.

O mito dos CPMs comparáveis

Vamos começar com os números que todo mundo usa. No mercado americano, os CPMs de CTV variam assim (dados reais de 2024 e 2025):

  • Roku (in-stream programático): US$ 25 a US$ 40 - alcance enorme, mas audiência muito fragmentada.
  • Hulu (plano com anúncios): US$ 30 a US$ 45 - público qualificado, mas você tem pouca liberdade de segmentação.
  • Amazon Fire TV (via DSP): US$ 35 a US$ 55 - caro, mas com dados de compra poderosos.
  • YouTube TV (in-stream longo): US$ 25 a US$ 35 - mais barato, mas o brand safety é uma interrogação.
  • Peacock / Paramount+: US$ 30 a US$ 50 - varia muito conforme o targeting escolhido.

Olhando assim, YouTube TV parece a melhor escolha, certo? CPM mais baixo, mais alcance por dólar. Mas eu vivi um caso que mostra como isso é ilusório. Uma marca de automóveis de luxo - não vou dar nome, mas era uma alemã famosa - rodou campanhas em duas plataformas ao mesmo tempo. Na Peacock, CPM de US$ 45, e o brand lift (aumento de pesquisa pela marca) chegou a 8%. Na YouTube TV, CPM de US$ 28, mas o brand lift foi de apenas 2%. O custo por pessoa que realmente buscou a marca depois do anúncio? Na Peacock, US$ 562. Na YouTube TV, US$ 1.400. A plataforma com CPM mais caro entregou o melhor custo-benefício, de longe.

É por isso que eu insisto: CPM baixo não significa eficiência. Significa apenas que você pagou pouco por mil impressões - mas não sabe se essas impressões valeram alguma coisa.

O custo fantasma que ninguém contabiliza

Agora vamos ao ponto que realmente diferencia quem entende de CTV de quem só repete benchmark. Existe um custo invisível que drena o orçamento de campanhas o tempo todo, e quase ninguém fala dele: as impressões fantasmas.

O que são impressões fantasmas? Aquelas em que o anúncio foi exibido na tela, mas ninguém estava prestando atenção. A TV ligada na sala vazia. O comercial rodando no bar enquanto todo mundo conversa. A propaganda que passa enquanto o usuário sai para pegar uma cerveja na geladeira. Estudos do mercado americano - incluindo dados de empresas como TVision e iSpot - sugerem que entre 20% e 40% das impressões de CTV acontecem nesse cenário. As plataformas contam como impressão normal. Você paga o mesmo CPM. Mas não gerou nada.

Faz as contas comigo. Suponha que você contratou um CPM de US$ 30. Se 35% das impressões são fantasmas, o custo real por impressão realmente assistida sobe para US$ 46,15. É um aumento de 54% no custo efetivo - e esse número não aparece em relatório nenhum. O DSP mostra “CPM: US$ 30” e pronto. Você acha que está dentro do orçamento, mas na verdade está pagando muito mais por cada pessoa que realmente viu seu anúncio.

Como resolver isso? Peça ao seu parceiro de tecnologia - The Trade Desk, Amazon DSP, Google DV360 - métricas de viewability com áudio ativo e completação em primeiro plano. Nem todos fornecem, mas os melhores sim. Se o seu DSP não consegue te dar esses dados, considere trocar de plataforma. É o mínimo para não jogar dinheiro fora.

Três métricas que realmente importam (e ninguém usa)

Depois de anos testando e quebrando a cabeça com campanhas de CTV, cheguei a três indicadores que uso para comparar plataformas de forma justa. Eles eliminam o ruído e mostram o custo real de cada canal.

Custo por segundo de atenção (CPSA)

Pega o investimento total da campanha e divide pelo número total de segundos que as pessoas realmente assistiram ao anúncio. Mas só considera aquelas impressões que tiveram pelo menos 5 segundos de exposição - nada de visualizações passageiras. Exemplo prático: uma campanha de US$ 10 mil gerou 200 mil impressões, mas apenas 150 mil tiveram 5 segundos ou mais de atenção. O anúncio tem 30 segundos, e o tempo médio assistido foi de 12 segundos. Total de segundos assistidos: 150 mil × 12 = 1,8 milhão de segundos. CPSA = US$ 10 mil / 1,8 milhão = US$ 0,0055 por segundo. Agora compare esse número entre plataformas. A que tiver o menor CPSA é a mais eficiente em gerar atenção, independentemente do CPM.

Custo por ação pós-exposição (CPAE)

Esse é meu favorito. Meça ações concretas que acontecem até 7 dias depois que a pessoa viu o anúncio: pesquisa da marca no Google (dá para cruzar com Google Trends ou dados de brand lift), visita ao site via pixel, clique em QR code na tela, ou qualquer comportamento rastreável. Divide o investimento pelo número dessas ações. Exemplo: uma campanha no Roku gerou 500 pesquisas adicionais pela marca com um investimento de US$ 10 mil. CPAE = US$ 20 por pesquisa. Outra plataforma, com o mesmo investimento, gerou só 200 pesquisas - CPAE de US$ 50. A plataforma com CPM mais alto pode ter um CPAE muito melhor, como vimos no caso do carro de luxo.

Custo por impressão verificada (CPIV)

Calcule o CPM apenas sobre as impressões que passaram pelo padrão MRC de viewability: pelo menos 50% do anúncio visível por 2 segundos consecutivos. Muitos DSPs oferecem esse dado nos relatórios, mas quase ninguém o usa para comparar plataformas. Faça isso. Você vai descobrir que plataformas com CPM baixo muitas vezes têm taxas de viewability baixíssimas, o que joga o CPIV lá em cima.

Sazonalidade e fragmentação: as armadilhas escondidas

Os benchmarks de CPM que você encontra online são médias anuais. Só que o mercado de CTV nos EUA sofre variações enormes ao longo do ano. Ignorar isso é torrar dinheiro.

Black Friday e Cyber Monday: Nessa época, os CPMs em plataformas como Amazon Fire TV e Roku disparam de 50% a 70%. Todo varejista quer a tela grande. Se você não tem uma oferta sazonal forte, melhor esperar ou comprar inventário em plataformas menos disputadas, como Peacock.

Eventos ao vivo: NFL, Oscar, eleições presidenciais. O inventário premium fica escasso e caro. O YouTube TV, com o NFL Sunday Ticket, chega a US$ 60 ou US$ 80 de CPM. Se sua marca não precisa estar ao vivo, evite.

Horário nobre vs. VOD gravado: Esse é um truque que pouca gente usa. O mesmo programa, quando assistido em time-shifted (gravado ou via VOD), pode ter um CPM 30% a 40% menor - e a audiência é a mesma, muitas vezes mais engajada (quem busca o conteúdo depois está mais interessado). Negocie com os publishers para comprar inventário não linear. Funciona.

Passos práticos para aplicar isso agora

Se você está planejando uma campanha de CTV - seja nos Estados Unidos, no Brasil ou em Portugal -, aqui está um roteiro para não cair nas armadilhas que descrevi:

  1. Exija métricas de atenção do seu DSP. Pergunte: qual a taxa de completação com áudio ativo? Qual a viewability real? Se o parceiro não fornecer, considere trocar.
  2. Calcule o CPM ajustado. Adicione uma margem de segurança de 20% a 35% sobre o CPM informado, para compensar impressões fantasmas. Isso te dá uma visão realista do custo.
  3. Implemente medição de brand lift. Use as ferramentas nativas (Google Brand Lift, YouTube Brand Lift) ou contrate parceiros como Nielsen. Sem isso, você está operando no escuro.
  4. Diversifique a compra entre VOD e linear. Teste inventário time-shifted a preços reduzidos e compare a performance.
  5. Compare plataformas com base no CPAE. Monte um painel com custo por pesquisa de marca, custo por visita ao site e custo por novo usuário. Só depois decida onde alocar o orçamento.

Conclusão

A publicidade em CTV está em plena expansão, e com razão: entrega alcance, segmentação e um ambiente premium que o vídeo linear não oferece mais. Mas a maioria das análises de custo ainda se baseia em CPM - uma métrica que esconde mais do que revela. O verdadeiro custo está nas impressões que ninguém viu, na atenção que não foi medida e nas oportunidades sazonais que foram ignoradas.

A mudança que você precisa fazer é simples de entender, mas difícil de implementar: pare de perguntar “qual plataforma tem o menor CPM?”. Comece a perguntar “qual plataforma entrega o menor custo por segundo de atenção real?” e “qual plataforma gera mais ações pós-exposição por dólar investido?”. No mercado americano, as marcas que mais evoluíram em CTV foram justamente as que abandonaram a superficialidade dos benchmarks e adotaram uma visão baseada em atenção e resultado. Não importa se você está em São Paulo, Lisboa ou Nova York - os princípios são os mesmos. A diferença entre uma campanha mediana e uma excepcional está nos detalhes que ninguém mede. Agora você já sabe onde olhar.

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